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EZEQUIEL SILVA
Família de Ibirama pede justiça por morte
Geral | 17/11/2018 08:23 | Jéssica Sens/Diário do Alto Vale | Fotos:

Já se passaram quase dois anos do acidente aéreo da Chapecoense que causou a morte de 71 pessoas e chocou o mundo, mas até agora os familiares das vítimas ainda não receberam indenização. Entre eles está a ibiramense Vani Dumke, que era esposa do preparador de goleiros Anderson Roberto Martins, o conhecido Boião.

O profissional, que era natural de Minas Gerais e tinha 46 anos, atuava tanto na Arena Condá quanto na Arena da Baixada, do Clube Atlético de Ibirama. Segundo a esposa, o marido era apaixonado por futebol e não se imaginava em outro local, a não ser no campo.

“Ele era um profissional exigente, rígido, queria atletas profissionais e se dedicava todos os dias para que o sonho dos alunos fosse realizado”, contou.

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Mas infelizmente, a carreira, de mais de 15 anos, chegou ao fim. De acordo com os laudos do acidente, a aeronave da empresa Lamia teria caído pouco antes de chegar ao aeroporto de Medellín, por falta de combustível. De todos os passageiros apenas seis sobreviveram. Funcionários aeroportuários e de aviação civil e da própria empresa Lamia, foram apontados como os responsáveis por terem cometido falhas técnicas graves para a realização do voo e para Vani, a tragédia não foi um acidente.

“Aquilo foi um assassinato. Quando liguei a televisão e vi aquela cena horrível, me desesperei, caí no choro. Ainda me pego olhando o celular, esperando uma mensagem ou ligação dele, mas isso não será mais possível. Eu fui a última pessoa a falar com ele antes do acidente, ainda tenho nossas mensagens salvas no meu celular, pois esta é a única forma de matar a saudade do meu amor. Não lembro se eu comi, se dormi, fiquei em choque, meu mundo havia caído totalmente. Por que não pegaram uma empresa brasileira? Eles iam viajar com a Gol e por que não foram? Voar sem gasolina, alguém vai ter que pagar por esse erro. 71 pessoas morreram e deixaram suas famílias. Quero que a justiça seja feita”, destacou.

Vani relata ainda que até hoje não recebeu nenhuma indenização e que não há nem previsão para isso sair do papel.

“Tínhamos uma reunião na semana passada, contratei uma advogada do Rio Grande do Sul, mas não nos dão nenhum retorno e muito menos previsão. Eles se negam a pagar. Para se ter uma ideia a empresa nem tinha autorização para voar na Colômbia, não sei até onde isso vai parar, se tem a ver com a Chapecoense, com a Lamia, se tem mais pessoas envolvidas por trás de tudo isso. É tanta confusão, um descaso tão grande, um abandono de todos os lados. Tem famílias passando fome e falam que estão fazendo o máximo para realizar o pagamento. Criaram um fundo humanitário para pagar as famílias, mal tenho para sustentar minhas filhas, quem dirá tirar do meu salário para investir em algo que é nosso por direito. Se fosse realmente para pagar, eles não iam demorar quase dois anos. Nisso, não tenho fé, só espero que um dia, as minhas duas filhas recebam o que é delas por direito, porque como eu disse, a justiça deve ser feita, mas dinheiro nenhum vai trazer o Boião para os nossos braços novamente”, opinou.

Ela revelou ainda que deseja um dia ir para Colômbia visitar o local do acidente.

“Não agora, mas daqui uns 10 anos. Não sei o motivo, mas algo me diz para ir até lá. Talvez para tentar entender o laudo que aponta que faltou cerca de 27 centímetros para eles passarem, só 27 centímetros. E se não fosse essa empresa? Acredito que todos tinham uma razão para estarem juntos, mas cada vez que me recordo eu me revolto, porque foi injusto tudo aquilo. Tenho vontade de sair correndo, a dor foi indescritível, tanto eu quanto minhas filhas e o filho do primeiro casamento dele, sentimos muito a falta do Boião, que era um profissional, um pai, um marido exemplar, carinhoso, uma pessoa íntegra e de muita fé. Acredito que foi através da fé que ele me ensinou a ter, que ainda consigo ir adiante, pois se não tivesse as minhas filhas, não sei o que seria de mim nesses últimos anos. O que me resta agora, são as lembranças através das fotos e é claro, lembrar dos momentos divertidos e incríveis que passávamos juntos aqui em casa. Ele não está mais entre nós fisicamente, mas sei que lá de cima, ela vai continuar nos protegendo, ele se foi, mas o amor permanecerá sempre vivo aqui comigo”, finalizou.


O acidente

A tragédia aconteceu no dia 29 de novembro de 2016, quando a delegação catarinense viajava para disputar o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana em Medellín contra o Atlético Nacional. Das 71 pessoas que perderam a vida, 19 eram jogadores, 14 membros da Comissão Técnica e nove dirigentes do clube.


Jéssica Sens/Diário do Alto Vale


 
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